Como ressocializar assim?

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O caos das instalações do Presídio Central de Porto Alegre, veiculado pela grande mídia e expostas no perfil do Facebook do juiz Sidinei Brzuska (http://www.facebook.com/sidinei.brzuska) estarreceram o povo gaúcho, que se perguntou: como alguém irá se reinserir na sociedade em instalações como aquelas?

O nosso habitat, o lugar em que vivemos, forja o caráter das pessoas e define quem somos. Um lugar de harmonia, paz, limpeza e organização tende a tornar um ser humano com as mesmas características. Bem como um local sujo, de brigas constantes e desorganizado faz com que as pessoas absorvam isto.

O Presídio Central de Porto Alegre é problema número 1 da segurança pública no RS. Construído em 1959, o Central era para ser um presídio de passagem, ou seja, para abrigar somente pessoas sob a medida cautelar de prisão preventiva ou aqueles que aguardam julgamento. Os que já foram julgados e receberam sentença prisional deveriam sair automaticamente de lá e seguir para outras penitenciárias. Infelizmente, não é o que acontece.

Com capacidade para 1,6 mil detentos, atualmente o Central abriga quase 5 mil presos. Sendo que em 1997 a comunidade carcerária do Central era de 1,9 mil presos. Um aumento de 60% da comunidade carcerária num período de 15 anos.

Pode até ser clichê dizer que somente pobres são presos, e que os ricos não. Mas é a realidade. Estes, se presos, ficam por pouco tempo e logo saem. Enquanto “batedores de carteira” ou “ladrões de galinha”, como se diz àqueles praticantes de crimes menores, como pequenos tráficos de drogas ou roubos, mofam lá dentro e saem piores do que entraram. Assim, o Central se torna uma escola do crime.

Nas condições em que se encontra, o Central não ressocializa ninguém. Tanto pela estrutura física precária quanto pelo abandono do Estado aos detentos, que ficam desassistidos, desamparados e esquecidos no terror das paredes de concreto. Dignidade é uma palavra que esbarra no detector de metais e não entra no Central. Impossível conviver junto com baratas, ratos, esgotos e amontoamento de pessoas sem higiene básica.

A reincidência é grande por que o atual sistema de política de segurança pública não serve. Uma saída seriam as parcerias público-privadas, mas os investidores pedem lucros exorbitantes, incompatíveis com o atual orçamento do governo, que é de 3% do total.

Desta forma o blog Por Amor a Porto Alegre se preocupa com estas questões e luta por uma resolução urgente, embora saiba que é um problema de longo prazo. Divulgamos os problemas apresentados pelo Presídio Central e declaramos que somos parceiros para buscar melhorias e fazer o que estiver ao nosso alcance para uma ação efetiva sobre segurança pública no RS. Com mais investimento e mais política talvez consigamos reinserir na sociedade as pessoas que erraram durante a vida.

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Sobre Jac Sanchotene

Trabalhadora da Cultura, formação em Ciências Políticas e Econômica, Mãe da Greta, coordenadora do Movimento Viva Gasômetro.

Publicado em abril 26, 2012, em Uncategorized e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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